domingo, 23 de setembro de 2012

A vida (in)útil do objeto sem vida


    Ela fica no corredor todas as noites, sozinha. Sem nenhuma utilidade naquele corredor vazio, que quase ninguém passa todas as noites. A lâmpada, inútil. A câmera, sua parceira, filmava o corredor: vazio,silencioso, quase amedrontador. Aline entrou pela porta da frente tão silenciosa e insegura quanto as outras vezes que passara por ali nas últimas duas semanas.
    Ouviu uma porta começar a se abrir, mas ainda deu alguns passos aparentemente seguros até perceber que a porta errada se abria. A luz piscou duas vezes, emitindo um barulho estranho e Aline parou assustada, com os olhos despercebidamente arregalados. Não pela luz que piscava, mas pelo fato de que rapaz a quem queria impressionar agora estava bem à sua frente e ela não se preparara para essa situação.
    Uns cinco longos passos à sua frente estava Tom, e enquanto fechava a porta ele viu Aline e a cumprimentou com um sorriso quase despercebido por Aline diante da ansiedade que o momento lhe trouxe. Ela sorriu de volta passando a mão em seu cabelo, colocando-o atrás da orelha. Seus olhos se voltaram para o teto num gesto impulsivo quase de demonstração na intenção de fugir do olhar do rapaz que a tirara o olhar para todas as outras coisas nos últimos dias.
- Parece que essas luzes estão velhas demais. Acho que você tem que dar um jeito nelas.
-Porquê? Você tem medo de escuro? - Ele disse se aproximando e rindo, mas ainda olhando para as lâmpadas.
-Não! É só que... - Ela não tinha palavras para se explicar enquanto o encarava. Então as luzes voltaram a piscar e ele voltou a se aproximar, fazendo com ela sentisse suas costas queimarem e seu corpo estremecer.
-Relaxa - Ele disse, mas próximo dela do que ela jamais imaginara que realmente pudesse acontecer.
As luzes enfim pifaram de vez e a última coisa que conseguiu pensar foi num trecho de banda qualquer... "Estou a dois passos do paraíso..." e ela sorriu de leve do seu pensamento antes de perceber o que estava para acontecer.
 
    Porque as vezes a inutilidade é útil. E mais uma série de conclusões e analogias sobre lâmpadas. 

Agradecimento especial ao meu avô e nossa conversa inspiradora sobre a vida útil das lâmpadas.
 E também ao cara da claro. 
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Beijos, Marcelinha

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