sábado, 12 de setembro de 2015

O último domingo

Nos conhecemos através de amigos em comum, passávamos noites inteiras conversando, durante o dia compartilhávamos as bobagens da rotina e foi assim por alguns meses. Pedro morava alguns quilômetros de distância de mim, nunca havíamos nos visto, mas nossa conexão era inata. Meus dias tinham se tornado mais fáceis e interessantes por ele se fazer presente neles de alguma forma. Foi em novembro, pouco depois do meu aniversário, que ele decidiu que viria me ver. Passamos tardes inteiras procurando estadia, combinando horários, devaneando sobre como seriam os dias que estaríamos juntos, eles pareciam não querer passar.

Finalmente chegou aquele sábado que fui encontrá-lo na rodoviária. Temi que fosse estranho nosso encontro, mas fluiu tão bem quanto os meses antecedentes, em seu abraço senti reconhecimento e meu sorriso era sincero e descontraído. Ainda não fazíamos ideia do que aconteceria nos próximos dias, mas não precisamos de muito tempo para descobrir. Deixamos nossas coisas no hotel e o levei à praia. Queria que ele tivesse visto o mar pelo dia, mas já era a noite quando enfim chegamos lá. Acabamos indo comer por ali, do segundo andar do restaurante podíamos observar o fluxo nas calçadas da orla e sentir o vento noturno em nossos rostos. Enquanto olhávamos o cardápio, senti o braço de Pedro tocar o meu, ele respondeu ao toque com um olhar e nossos lábios finalmente se tocaram. Era suave, doce e natural. Assim como nós. Naquele momento eu parecia beijar uma boca que já conhecia há anos, uma boca que era mais minha que minha própria.

O dia seguinte foi maravilhoso, passamos toda a tarde fazendo coisas de casais e conhecendo alguns dos meus lugares favoritos da cidade. E como foi bom andar de mãos dadas por aí com Pedro… Quando a noite finalmente chegou, fomos juntos para a cama. Não houve chuva lá fora, como nos filmes românticos, mas uma tempestade invadia nossos corpos, ansiosos pelos últimos momentos para aproveitarmos o nosso prazer, que estava tão íntimo no outro e logo não teríamos mais. 
Pela manhã, fui pega de súbito por uma alegria profunda e senti que estar ali era a coisa mais genuína que tinha feito em toda minha existência. Aquele final de semana foi provavelmente o mais incrível e intenso que vivi. Definitivamente intenso. Partimos para a rodoviária, nos despedimos ali. Pedro subiu no ônibus com um olhar agridoce e eu lhe mandei um beijo de despedida. Despedida. Foi meu último beijo que ele pode ver. Desde aquela manhã nunca mais falei com o Pedro. Nunca mais pude tê-lo, senti-lo, vê-lo ou ouvi-lo. Tenho certeza de que ele foi feliz. Mas daquele final de semana… daquele final de semana só me restou.




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Beijos, Marcelinha

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